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EX-DEPUTADO FEDERAL BOCA ABERTA É CONDENADO A MAIS DE 16 ANOS DE PRISÃO EM LONDRINA
Por Aldair Jose Tavares
Publicado em 02/09/2026 10:39
Redação

EX-DEPUTADO FEDERAL BOCA ABERTA É CONDENADO A MAIS DE 16 ANOS DE PRISÃO EM LONDRINA

Emerson Miguel Pietriv, conhecido como Boca Aberta, foi condenado por desacato, injúria e calúnia contra servidores e agentes públicos; esposa também foi condenada. Defesa anunciou recurso

O ex-vereador de Londrina e ex-deputado federal Emerson Miguel Pietriv, conhecido como Boca Aberta, foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Londrina a 16 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, em regime aberto, além do pagamento de 2.508 dias-multa. A condenação envolve crimes de desacato, injúria e calúnia praticados contra servidores públicos e agentes políticos.

A decisão foi proferida pela Justiça de Londrina e está relacionada a uma série de episódios ocorridos em maio e junho de 2025, envolvendo Boca Aberta, o procurador-geral da Câmara Municipal de Londrina, Miguel Angelo Aranega Garcia, e o vereador Claudinei Pereira dos Santos, conhecido como Santão.

A esposa de Boca Aberta, Marly de Fátima Ribeiro, conhecida como Mara Boca Aberta, também foi condenada. A pena aplicada a ela foi de seis meses de prisão.

Apesar da condenação, Boca Aberta e Mara podem recorrer da decisão. A defesa já informou que apresentou Recurso de Apelação Criminal e pretende buscar a reversão da sentença.

CONFRONTO NA CÂMARA MUNICIPAL

De acordo com a denúncia apresentada no processo, os fatos começaram em maio de 2025, no estacionamento da Câmara Municipal de Londrina.

Na ocasião, Boca Aberta teria ofendido o procurador-geral do Legislativo, Miguel Angelo Aranega Garcia, utilizando termos ofensivos e fazendo acusações de envolvimento em corrupção, além de uma ameaça.

Na sequência, ainda segundo a acusação, ele teria se dirigido à entrada da Câmara e iniciado uma discussão com o vereador Claudinei Pereira dos Santos, o Santão, além de três assessores do parlamentar.

Santão, que é policial rodoviário federal, teria pegado uma algema com a intenção de dar voz de prisão a Boca Aberta. O ex-deputado, porém, teria entrado em uma agência da Caixa Econômica Federal.

OFENSAS TERIAM CONTINUADO EM AGÊNCIA BANCÁRIA

Segundo os autos do processo, as ofensas continuaram dentro da agência bancária.

Boca Aberta teria feito novas acusações contra o vereador, chamando-o de criminoso e fazendo afirmações relacionadas a supostos desvios de recursos públicos e partidários.

Ainda conforme a denúncia, uma assessora de Santão também teria sido alvo de ofensas e comentários de cunho pessoal.

Após o episódio, Boca Aberta foi encaminhado à Central de Flagrantes da Polícia Civil.

Na delegacia, segundo o processo, Mara Boca Aberta também teria desacatado o vereador, chamando-o de “covarde”.

Mara foi vereadora de Londrina entre 2021 e 2024.

24 PUBLICAÇÕES NAS REDES SOCIAIS

A acusação também aponta que, entre 16 de maio e 2 de junho de 2025, Boca Aberta teria realizado 24 publicações no Facebook e no Instagram direcionadas ao vereador Santão.

Segundo a denúncia, nas postagens foram utilizados diversos termos ofensivos e acusações contra o parlamentar.

O ex-deputado também teria divulgado imagens e informações sobre os salários de cinco assessores da Câmara Municipal de Londrina, acusando-os de envolvimento em crimes e relacionando os servidores ao episódio ocorrido na agência bancária.

Essas manifestações nas redes sociais também foram consideradas no processo que resultou na condenação.

DEFESA CONSIDERA PENA DESPROPORCIONAL

A defesa de Boca Aberta e Mara informou que já protocolou Recurso de Apelação Criminal.

O advogado Benedito Silva Júnior classificou a pena aplicada a Boca Aberta como desproporcional e afirmou que a defesa pretende recorrer em todas as instâncias possíveis.

Segundo o advogado, os fatos ocorreram dentro de um contexto de disputa política e envolvem manifestações verbais e publicações nas redes sociais.

A defesa também argumenta que a liberdade de expressão deve ser considerada no debate político e afirma que a condenação representa uma restrição excessiva a esse direito.

Em relação a Mara Boca Aberta, a defesa sustenta que ela teria sido vítima de uma conduta abusiva praticada pelo vereador Santão durante o episódio na agência bancária.

Ainda de acordo com a defesa, decisões judiciais anteriores determinaram o pagamento de R$ 20 mil de indenização a Mara e R$ 10 mil a Boca Aberta.

BOCA ABERTA E MARA ESTÃO NA POLÍTICA

A condenação ocorre em um momento em que o casal continua envolvido na política.

Emerson Pietriv é candidato a deputado federal, enquanto Mara Boca Aberta é candidata a deputada estadual, segundo as informações divulgadas na reportagem de origem.

Entretanto, existe também um histórico recente de decisões da Justiça Eleitoral envolvendo o casal.

Em 2025, a Justiça Eleitoral tornou Boca Aberta, Mara Boca Aberta e o filho do casal, Matheus Vinicius Ribeiro Petriv, inelegíveis por oito anos, até 2030.

A decisão esteve relacionada às eleições de 2022 e a acusações de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação.

HISTÓRICO DE CASSAÇÕES

Boca Aberta também possui um histórico de cassações de mandato.

Em 2017, quando era vereador de Londrina, teve o mandato cassado pela Câmara Municipal por quebra de decoro parlamentar.

Posteriormente, conseguiu disputar uma eleição para deputado federal após uma decisão da Justiça Eleitoral e acabou sendo eleito.

Em agosto de 2021, porém, o Tribunal Superior Eleitoral cassou seu mandato de deputado federal. A decisão considerou a inelegibilidade decorrente da cassação anterior por quebra de decoro parlamentar, conforme as regras da Lei da Ficha Limpa.

A nova condenação criminal, por sua vez, ainda não é definitiva, já que a defesa anunciou recurso.

Fonte: Plural Jornal

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