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Aeroporto Regional do Sudoeste: a ideia de mais de duas décadas que volta a ganhar força em Renascença
Por Aldair Jose Tavares
Publicado em 27/08/2026 13:33
RENASCENÇA

                                                   

Aeroporto Regional do Sudoeste: a ideia de mais de duas décadas que volta a ganhar força em Renascença

Carta do Sudoeste 2026 lista o projeto como já aprovado pela Secretaria Nacional da Aviação Civil e inclui, pela primeira vez, um terminal de cargas, mas a obra ainda depende de etapas decisivas de desapropriação e financiamento

Entre as 42 assinaturas municipais que compõem a Carta do Sudoeste 2026, documento que a Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), a Acamsop, a Agência de Desenvolvimento Regional e a Cacispar preparam para entregar aos candidatos ao Governo do Paraná às vésperas do pleito estadual de outubro, está uma reivindicação que atravessa quatro governos estaduais e mais de duas décadas de articulação: a implantação do Aeroporto Regional do Sudoeste no sítio aeroportuário de Renascença.

A novidade da edição de 2026 é o texto que acompanha o pedido: o projeto aparece descrito como já aprovado pela Secretaria Nacional da Aviação Civil e passa a incluir, explicitamente, um terminal de cargas, item que não constava com esse detalhamento em versões anteriores da Carta.

Uma pauta que nasceu em 2002

A discussão sobre um aeroporto regional para o Sudoeste paranaense remonta a 2002, quando o tema começou a ser debatido dentro da Amsop. Na época, Pato Branco ainda não reunia as condições técnicas que viria a desenvolver depois, o que abria espaço para se pensar em uma estrutura nova e compartilhada entre os municípios da região.

O primeiro passo técnico veio em 2007: a Amsop contratou um estudo com o professor André Silvestri, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em implantação de aeroportos. O levantamento apontou uma área na Linha Buriti, em Renascença, como a mais adequada para receber a estrutura.

O projeto perdeu força em 2013, quando o Governo Federal lançou, dentro do Plano de Investimentos em Logística (PIL) de aviação regional, a intenção de modernizar os aeródromos já existentes em Pato Branco e Francisco Beltrão, as duas maiores cidades da região, separadas por menos de 60 quilômetros.

Estudos preliminares mostraram, porém, que adequar as duas estruturas ao mesmo tempo exigiria investimentos elevados demais diante da proximidade entre elas, e o Tribunal de Contas da União determinou que apenas um dos aeroportos fosse priorizado.

Diante do impasse, a Amsop retomou a ideia de um terminal novo, comum às duas cidades, e um levantamento encomendado pela entidade voltou a indicar áreas em Renascença, às margens da atual PR-280, no ponto médio entre Pato Branco e Francisco Beltrão.

Sete sítios avaliados, um vencedor

Em 2016, com a articulação das lideranças regionais, o projeto foi oficialmente retomado. A proposta chamou a atenção da então Secretaria de Aviação Civil (SAC), vinculada ao Ministério da Infraestrutura, que enviou uma equipe do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) para avaliar as áreas candidatas dentro da Metodologia de Estudos de Sítios Aeroportuários, um processo de hierarquização, denominado Analytic Hierarchy Process, conduzido, no âmbito acadêmico, pelo Programa para o Desenvolvimento Aeroportuário da UEL.

Foram estudados sete sítios em toda a região. Renascença obteve as três notas mais altas do levantamento, com pontuações de 53, 48 e 38 para diferentes recortes da área na Linha Buriti. O resultado consolidou o município como escolha técnica para sediar o empreendimento.

Em dezembro de 2019, o então governador Ratinho Junior recebeu prefeitos, empresários e lideranças do Sudoeste no Palácio Iguaçu para conhecer os detalhes do projeto e autorizou a assinatura de um termo de compromisso entre a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística e a SAC, viabilizando a continuidade dos estudos de viabilidade econômica e estrutural.

Dois meses depois, em fevereiro de 2020, a Prefeitura de Renascença, então sob a gestão do prefeito Lessir Canan Bôrtoli, publicou decreto declarando de utilidade pública uma área de 2,66 milhões de metros quadrados na Linha Buriti, dividida em dois terrenos: um correspondente à área mínima indicada pelos estudos do ITA, com 73 alqueires e dimensões de 540 por 3.320 metros, e outro reservado para eventual ampliação futura, com 35 hectares e dimensões de 540 por 1.400 metros.

O ato abriu caminho para a desapropriação parcial ou integral dos imóveis atingidos, mediante indenização aos proprietários.

Na época, a estimativa de custo total da obra variava entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões, e os estudos técnicos projetavam para o equipamento alcance para voos internacionais e capacidade de atender centenas de municípios da fronteira e do interior do estado.

Nem sempre houve consenso

A escolha de Renascença nunca foi unanimidade regional. Lideranças ligadas à ampliação do Aeroporto Juvenal Cardoso, em Pato Branco, chegaram a questionar a necessidade de um terceiro terminal tão próximo dos dois aeroportos já em operação na região, Pato Branco e Francisco Beltrão, defendendo que ampliar a estrutura existente em Pato Branco, orçada à época em cerca de R$ 50 milhões, seria mais econômico do que construir um equipamento novo.

Esse debate deixou marcas até no próprio texto da Carta do Sudoeste. A edição de 2018 chegou a listar o apoio a um aeroporto regional sem citar Renascença como cidade-sede, reflexo de que o tema não reunia consenso pleno entre as entidades signatárias naquele momento.

O que a Carta 2026 traz de novo

Passados os anos de estudos, decretos e negociações, a edição de 2026 da Carta do Sudoeste retoma o pedido de forma mais assertiva.

No eixo de infraestrutura, item “Conexão Aeroviária”, o documento reúne três demandas complementares: um programa estadual de incentivo à aviação regional, batizado de Voe Sudoeste; a implantação do Aeroporto Regional do Sudoeste, agora com terminal de cargas, no sítio aeroportuário de Renascença, descrita como projeto já aprovado pela Secretaria Nacional da Aviação Civil; e a otimização das estruturas aeroportuárias já existentes em Pato Branco, Francisco Beltrão e Cruzeiro do Iguaçu.

A menção a um terminal de cargas é o elemento mais novo em relação às versões anteriores da reivindicação e conversa diretamente com o perfil econômico da região, um polo agropecuário forte em grãos, leite e aves.

A Carta também defende a implantação de um ramal ferroviário da Nova Ferroeste entre Cascavel, o Sudoeste do Paraná e Chapecó (SC), além de um terminal ferroviário regional. Isso sinaliza que a logística de exportação volta a ser tratada como prioridade conjunta de rodovia, ferrovia e aeroporto.

O que ainda falta avançar

Apesar da aprovação anunciada pela Secretaria Nacional da Aviação Civil, o documento não detalha cronograma, fonte de recursos nem data de início das obras, etapas que, historicamente, têm sido o gargalo do projeto desde 2002.

A trajetória do aeroporto de Renascença mostra que aprovações técnicas e termos de compromisso já foram assinados anteriormente sem se traduzirem, até o momento, em desapropriação efetiva ou início das obras.

Os próximos marcos a serem observados são a formalização de convênio entre o Governo do Estado e a União para custear a elaboração final do projeto executivo, a efetivação das desapropriações na Linha Buriti e a definição da fonte orçamentária para uma obra que, à época dos últimos estudos divulgados, era estimada em mais de R$ 100 milhões.

Ainda assim, ao reaparecer na Carta de 2026 com uma aprovação federal explícita e um escopo ampliado, contemplando passageiros e cargas, o Aeroporto Regional do Sudoeste segue como um dos símbolos mais duradouros das reivindicações estruturantes da região e representa um teste concreto para os candidatos ao Governo do Paraná que receberão o documento neste ano eleitoral.

 

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