Moraes determina que prisão de Bolsonaro seja feita “com todo respeito” e sem algemas
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o mandado de prisão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro fosse cumprido pela Polícia Federal na manhã deste sábado (22). A ordem estabelece que a detenção deveria ocorrer sem algemas, sem exposição à imprensa e resguardando a dignidade do ex-chefe do Executivo.
A decisão foi enviada à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal e consta em despacho oficial.
Motivo da prisão
A prisão é preventiva, ou seja, não possui prazo determinado. Moraes justificou a medida afirmando que grupos de apoiadores convocaram uma vigília em frente ao condomínio onde Bolsonaro reside, com o objetivo de impedir a ação policial — o que, segundo o ministro, colocaria em risco a ordem pública.
Apesar de Bolsonaro já ter sido condenado a 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe de Estado, não é por essa condenação que ele está preso no momento, pois ainda há recursos pendentes. A execução definitiva da pena deve ocorrer nos próximos dias, após o fim das possibilidades de recurso.
Crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado
No despacho, o ministro lista os crimes julgados pela Primeira Turma do STF:
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liderança de organização criminosa armada;
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tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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golpe de Estado;
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dano qualificado pela violência e grave ameaça, com prejuízo ao patrimônio da União;
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deterioração de patrimônio tombado.
A condenação totaliza 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, atualmente em fase final de recursos.
Orientações de Moraes para o cumprimento da ordem
O ministro determinou que:
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não fossem utilizadas algemas;
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não houvesse exposição midiática;
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a equipe policial tivesse liberdade para decidir sobre o uso de uniforme e armamento, conforme necessidade;
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a PF comunicasse o STF imediatamente após o cumprimento da medida.
Situação atual: domiciliar x regime fechado
Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar. A defesa tenta impedir a transferência para o regime fechado e, nesta semana, apresentou novo pedido para que ele permaneça em casa, alegando problemas de saúde e risco à vida caso seja levado ao sistema prisional comum.